{"id":1595,"date":"2018-08-10T12:37:31","date_gmt":"2018-08-10T15:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/cmalaw.com\/?post_type=namidia&#038;p=1595"},"modified":"2023-06-28T21:10:06","modified_gmt":"2023-06-29T00:10:06","slug":"uma-maquina-a-venda","status":"publish","type":"conteudos","link":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/conteudos\/uma-maquina-a-venda\/","title":{"rendered":"Uma m\u00e1quina \u00e0 venda"},"content":{"rendered":"<h5><strong>Por Moacir Drska<br \/>\n<\/strong><strong>Fonte: Isto \u00c9 Dinheiro<\/strong><\/h5>\n<p>Pressionados por uma d\u00edvida de R$ 2,6 bilh\u00f5es, os donos do grupo resultante da fus\u00e3o entre a Ricardo Eletro e a Insinuante buscam uma sa\u00edda na venda do controle para a gestora Starboard<\/p>\n<p>Aos 12 anos, Ricardo Nunes j\u00e1 mostrava sua habilidade de vendedor em Divin\u00f3polis (MG). Primeiro, foram as mexericas colhidas no s\u00edtio da fam\u00edlia. Depois, as bijuterias, os bichos de pel\u00facia e alguns eletrodom\u00e9sticos trazidos de S\u00e3o Paulo. Batizada de Ricardo Eletro, a primeira loja pr\u00f3pria veio aos 20 anos. Para conquistar a clientela e construir uma rede de mais de 200 pontos de venda, ele costumava recorrer a um bord\u00e3o criado quando ainda era menino: \u201cCubro qualquer oferta\u201d. O mote tamb\u00e9m dava o tom das campanhas estreladas pelo empres\u00e1rio. Esse poder de persuas\u00e3o veio novamente \u00e0 tona em 2010, quando ele costurou uma fus\u00e3o com Luiz Carlos Batista, da varejista baiana Insinuante. Nascia a M\u00e1quina de Vendas. Com uma receita de R$ 4,1 bilh\u00f5es, o grupo tornou-se o segundo maior varejista de m\u00f3veis e eletr\u00f4nicos do Pa\u00eds, atr\u00e1s apenas da Via Varejo, formada por Casas Bahia e Ponto Frio. E incorporou, na sequ\u00eancia, mais tr\u00eas bandeiras regionais: City Lar (MT), Salfer (SC) e Eletroshopping (PE).<\/p>\n<p>A l\u00e1bia de Nunes foi essencial para convencer outros empres\u00e1rios a embarcar nesse modelo. E agora, mais do que nunca, esse talento ser\u00e1 crucial para o futuro da M\u00e1quina de Vendas. Pressionado por uma d\u00edvida de R$ 2,6 bilh\u00f5es, o grupo busca alternativas para seguir em frente. A principal carta na mesa \u00e9 um aporte de R$ 250 milh\u00f5es, a ser realizado pela Starboard, empresa brasileira de investimentos especializada na recupera\u00e7\u00e3o de ativos em dificuldade financeira. Em troca, a Starboard assumir\u00e1 o controle da opera\u00e7\u00e3o, com uma participa\u00e7\u00e3o de 72,5%. A negocia\u00e7\u00e3o ganhou f\u00f4lego no in\u00edcio de 2018. E, por parte da M\u00e1quina de Vendas, est\u00e1 sendo conduzida por Nunes e por Pedro Magalh\u00e3es, diretor financeiro da varejista. \u201cEles n\u00e3o t\u00eam muita op\u00e7\u00e3o\u201d, diz uma fonte a par das tratativas. \u201cSe n\u00e3o seguirem esse caminho, v\u00e3o desaparecer ou virar um neg\u00f3cio de nicho e sem relev\u00e2ncia.\u201d<\/p>\n<p><strong style=\"font-style: inherit;\">Uma das etapas para que o martelo seja batido \u00e9 o an\u00fancio da recupera\u00e7\u00e3o extrajudicial da M\u00e1quina de Vendas, que envolver\u00e1 um passivo operacional de R$ 1,1 bilh\u00e3o.<\/strong>\u00a0Desse montante, 90% est\u00e3o relacionados a d\u00edvidas com cerca de 300 fornecedores. Conforme apurou a DINHEIRO, a varejista j\u00e1 tem a aprova\u00e7\u00e3o de 75% desses credores. O processo aguarda os tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos para ser divulgado. A estimativa \u00e9 que o acordo seja protocolado em at\u00e9 duas semanas e que sua homologa\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a no prazo de quatro a seis meses. O R$ 1,5 bilh\u00e3o restante da d\u00edvida refere-se a pend\u00eancias com os bancos Bradesco, Ita\u00fa Unibanco e Santander, que come\u00e7aram a ser renegociadas no fim de 2017. Procurada, a M\u00e1quina de Vendas n\u00e3o quis se pronunciar. J\u00e1 a Starboard ressaltou que n\u00e3o comenta acordos em andamento. Mas observou que a expectativa \u00e9 de que toda a reestrutura\u00e7\u00e3o seja conclu\u00edda, de forma satisfat\u00f3ria, nas pr\u00f3ximas semanas. \u201cEntendemos o grande potencial que a M\u00e1quina de Vendas tem como fundamento de neg\u00f3cio, o que se reflete no importante suporte dos fornecedores e credores financeiros at\u00e9 o momento\u201d, afirmou, em nota, Pedro Bianchi, s\u00f3cio da companhia.<\/p>\n<p>A Starboard foi criada no in\u00edcio de 2017 por ex-executivos da \u00e1rea de reestrutura\u00e7\u00f5es do banco Brasil Plural. A companhia tem como um de seus fundadores e s\u00f3cios F\u00e1bio Vassel, que tamb\u00e9m atua como CEO. Entre os projetos tocados est\u00e3o a reestrutura\u00e7\u00e3o da Camisaria Colombo e a assessoria financeira na recupera\u00e7\u00e3o judicial da UTC. Em fevereiro, a gestora americana de private equity Apollo Global Management, que tem um portf\u00f3lio global de US$ 247 bilh\u00f5es, comprou uma fatia de 20% da Starboard, al\u00e9m de investir em um fundo que estava sendo captado pela brasileira na \u00e9poca. A parceira tamb\u00e9m est\u00e1 envolvida na aquisi\u00e7\u00e3o da M\u00e1quina de Vendas. Procurada, a Apollo n\u00e3o quis comentar o tema.<\/p>\n<p><strong style=\"font-style: inherit;\">NO CAIXA<\/strong>\u00a0Os s\u00f3cios da M\u00e1quina de Vendas n\u00e3o engordar\u00e3o suas contas banc\u00e1rias com o valor envolvido na negocia\u00e7\u00e3o. Atualmente, Nunes e Batista s\u00e3o os principais acionistas do grupo, com participa\u00e7\u00f5es de 55% e 42,7%, respectivamente. Na pr\u00e1tica, haver\u00e1 uma inje\u00e7\u00e3o inicial de capital para estabilizar a opera\u00e7\u00e3o. \u201cDiferentemente de um fundo tradicional, empresas como a Starboard entram em opera\u00e7\u00f5es em condi\u00e7\u00f5es excepcionais, emergenciais e de alt\u00edssimo risco. O objetivo \u00e9, rapidamente, voltar a gerar caixa\u201d, diz Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. A situa\u00e7\u00e3o, de fato, pede urg\u00eancia. H\u00e1 pouco mais de dois anos, a varejista iniciou um processo de reestrutura\u00e7\u00e3o e de integra\u00e7\u00e3o \u2013 tardio, na vis\u00e3o de analistas \u2013 dos neg\u00f3cios incorporados desde a fus\u00e3o.<\/p>\n<p>O plano envolveu a unifica\u00e7\u00e3o das marcas sob a bandeira Ricardo Eletro e foi conclu\u00eddo no fim de 2017. Entre as medidas tomadas e os impactos da crise econ\u00f4mica, o saldo \u00e9 um neg\u00f3cio muito mais enxuto. Apesar de uma economia de R$ 600 milh\u00f5es, foram fechadas 600 lojas desde 2016. Hoje, a rede conta com 645 pontos de venda. A equipe foi reduzida de 25 mil para 12 mil funcion\u00e1rios. Os 27 centros de distribui\u00e7\u00e3o foram consolidados em sete unidades. E a receita l\u00edquida caiu de R$ 7 bilh\u00f5es, em 2015, para R$ 5,5 bilh\u00f5es, no ano passado. Em seu auge, em 2013, a empresa chegou a faturar R$ 8,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O contexto cr\u00edtico n\u00e3o se esgotou na redu\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o. Conclu\u00edda a reestrutura\u00e7\u00e3o e com uma d\u00edvida ainda elevada, a empresa viu as restri\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito junto a fornecedores se agravarem, o que afetou substancialmente o abastecimento de suas lojas, que passaram a oferecer um mix limitado. \u201cA companhia n\u00e3o estava preparada para uma crise econ\u00f4mica t\u00e3o extensa\u201d, diz um executivo do varejo. \u201cQuando n\u00e3o se tem capital de giro, voc\u00ea come\u00e7a a trabalhar com produtos desatualizados e em final de linha\u201d, diz Ana Paula Tozzi, CEO da consultoria AGR. \u201cE a empresa entra em uma espiral negativa, pois precisa reduzir os pre\u00e7os e sacrificar as margens para gerar caixa.\u201d<\/p>\n<p>A demora para extrair as sinergias de integra\u00e7\u00e3o e os impactos da crise econ\u00f4mica s\u00e3o fatores que ajudam a explicar o panorama cr\u00edtico da M\u00e1quina de Vendas. Mas um outro componente \u00e9 ressaltado pelos analistas: a lentid\u00e3o para implementar uma estrat\u00e9gia multicanal consistente. E a Via Varejo e a Magazine Luiza, que hoje dividem as duas primeiras posi\u00e7\u00f5es no ranking do setor, s\u00e3o os exemplos citados para deixar claro o atraso da empresa nessa frente. \u201cTodas as varejistas ficaram muito debilitadas com a crise, mas no caso da Via Varejo e da Magazine Luiza, a li\u00e7\u00e3o de casa estava bem feita\u201d, diz Terra. \u201cA M\u00e1quina de Vendas n\u00e3o conseguiu cumprir essa agenda, porque estava preocupada em sobreviver.\u201d Jean Paul Rebetez, s\u00f3cio-diretor da GS&amp;Consult, ressalta que as iniciativas digitais v\u00e3o muito al\u00e9m da opera\u00e7\u00e3o de um canal de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico. \u201c\u00c9 preciso oferecer conveni\u00eancia, rapidez e uma gama de servi\u00e7os e de op\u00e7\u00f5es de intera\u00e7\u00e3o para o consumidor\u201d, afirma.<strong style=\"font-style: inherit;\">\u00a0\u201cA M\u00e1quina de Vendas seguiu insistindo no modelo tradicional, baseado unicamente em pre\u00e7o e produto.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Uma parte desse cen\u00e1rio \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 gest\u00e3o de Ricardo Nunes, que atua como CEO da M\u00e1quina de Vendas e \u00e9 conhecido por seu estilo centralizador. \u201cO Ricardo \u00e9 um homem de balc\u00e3o, um excelente vendedor e marqueteiro, mas n\u00e3o \u00e9 um \u00f3timo gestor\u201d, diz uma fonte, que pediu anonimato. \u201cOs desafios pela frente exigem uma vis\u00e3o estrat\u00e9gica, que ele, sozinho, n\u00e3o daria conta.\u201d Segundo apurou a DINHEIRO, o empres\u00e1rio deve ser substitu\u00eddo no comando da companhia, mas manter\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o importante na opera\u00e7\u00e3o, que passar\u00e1 por um processo de aprimoramento da governan\u00e7a corporativa. No processo, Batista, que preside o Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m deve dar lugar a um executivo escolhido pela Starboard. \u201cSe o fundo conseguir usar o Ricardo naquilo que de fato ele \u00e9 bom, a for\u00e7a comercial e a rela\u00e7\u00e3o com os fornecedores, o modelo pode ser extremamente positivo\u201d, afirma Terra. \u201cEle tem uma enorme import\u00e2ncia, tanto para o p\u00fablico interno como externo. A presen\u00e7a dele \u00e9 fundamental para a recupera\u00e7\u00e3o da empresa\u201d, diz um executivo do setor.<\/p>\n<p>O caminho para a retomada, no entanto, inclui outras barreiras. Elas est\u00e3o expressas em um imbr\u00f3glio judicial envolvendo a fam\u00edlia Salfer, antiga propriet\u00e1ria das Lojas Salfer e acionista minorit\u00e1ria da opera\u00e7\u00e3o. O cl\u00e3 alega que n\u00e3o recebeu duas das cinco parcelas anuais de pagamento pela aquisi\u00e7\u00e3o. Outra pend\u00eancia s\u00e3o quatro lojas em Joinville (SC), que seguiram como ativos dos Salfer e foram alugadas para o grupo. Em 2017, a fam\u00edlia entrou com uma a\u00e7\u00e3o de despejo, por falta de quita\u00e7\u00e3o dos alugu\u00e9is. O caso foi solucionado depois de um acordo. Na semana passada, um novo processo foi aberto, sob a mesma alega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O principal ponto de aten\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 a renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas banc\u00e1rias, ainda n\u00e3o conclu\u00edda. O processo passa pela cria\u00e7\u00e3o de uma nova holding controladora da M\u00e1quina de Vendas, a MV Participa\u00e7\u00f5es, que faria uma emiss\u00e3o de deb\u00eantures, no valor de R$ 1,5 bilh\u00e3o, subscritas pelos bancos credores Bradesco, Ita\u00fa e Santander. Essas institui\u00e7\u00f5es passariam a ser donas da d\u00edvida, com a possibilidade de convert\u00ea-las em a\u00e7\u00f5es da companhia. A fam\u00edlia Salfer diz que essa arquitetura diluiria sua participa\u00e7\u00e3o de 7% para 2,7%.<\/p>\n<p>Depois de uma s\u00e9rie de liminares, o cl\u00e3 decidiu levar o caso \u00e0 C\u00e2mara de Arbitragem Brasil Canad\u00e1, alegando quebra de acordo de acionistas, pelo fato de que a entrada de terceiros na sociedade n\u00e3o poderia ser realizada tendo a\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria empresa como garantia. A princ\u00edpio, a quest\u00e3o parece n\u00e3o preocupar a Starboard. \u201cTemos conhecimento da arbitragem, mas acreditamos que ela n\u00e3o ter\u00e1 nenhum impacto para o acordo que est\u00e1 sendo negociado\u201d, afirma Marcus Bitencourt, advogado do escrit\u00f3rio Campos Mello Advogados, que est\u00e1 fazendo a assessoria jur\u00eddica da companhia na negocia\u00e7\u00e3o com a M\u00e1quina de Vendas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","categories":[201],"tags":[],"voce-sabia":[],"class_list":["post-1595","conteudos","type-conteudos","status-publish","hentry","category-publicacoes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/1595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos"}],"about":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/conteudos"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/1595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12986,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/1595\/revisions\/12986"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1595"},{"taxonomy":"voce-sabia","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/voce-sabia?post=1595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}