{"id":2153,"date":"2019-02-04T13:21:55","date_gmt":"2019-02-04T15:21:55","guid":{"rendered":"http:\/\/cmalaw.com\/?post_type=publicacoes&#038;p=2153"},"modified":"2023-06-28T21:11:03","modified_gmt":"2023-06-29T00:11:03","slug":"informativo-de-janeiro-p-i-e-protecao-de-dados","status":"publish","type":"conteudos","link":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/conteudos\/informativo-de-janeiro-p-i-e-protecao-de-dados\/","title":{"rendered":"Informativo de Janeiro &#8211; P.I e Prote\u00e7\u00e3o de Dados"},"content":{"rendered":"<p><strong>PROPRIEDADE INTELECTUAL<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0877be;\"><strong>EMPRESA DEVE INDENIZAR CONCORRENTE POR USAR MARCA COM REGISTRO ANULADO <\/strong><\/span><\/p>\n<p>Prezados,<\/p>\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a do Rio Grande do Sul (\u201cTJRS\u201d) decidiu que a empresa que utiliza marca que teve seu registro anulado por causar confus\u00e3o comercial deve indenizar a concorrente por lucros cessantes.<\/p>\n<p>Trata-se de controv\u00e9rsia originada ap\u00f3s a sociedade Sicredi Participa\u00e7\u00f5es ajuizar a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria requerendo a absten\u00e7\u00e3o de uso da marca \u201cSocicred\u201d pela Socicred Sociedade de Cr\u00e9dito ao Microempreeendedor.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o ordin\u00e1ria, a Sicred afirmou que a Justi\u00e7a Federal j\u00e1 havia reconhecido a nulidade da marca de titularidade da Socicred e requereu a condena\u00e7\u00e3o da r\u00e9 ao pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o material, nos termos dos artigos 208 a 210 da Lei 9.279\/96 (Lei de Propriedade Industrial ou \u201cLPI\u201d).<\/p>\n<p>A r\u00e9, por sua vez, argumentou que j\u00e1 havia retirado da internet a publicidade em nome da Socicred, bem como que n\u00e3o se poderia falar em indeniza\u00e7\u00e3o diante da aus\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o do preju\u00edzo financeiro.<\/p>\n<p>Em primeira inst\u00e2ncia, o juiz julgou procedente a a\u00e7\u00e3o e tornou definitiva a liminar que havia determinado o pagamento de lucros cessantes a serem apurados em sede de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a, enfatizando que a r\u00e9 deveria ter cessado o isso da marca \u201cSocricred\u201d no momento em que a Justi\u00e7a Federal havia reconhecido a nulidade do registro.<\/p>\n<p>O juiz afirmou ainda que, em se tratando de direito de marca, os danos materiais podem ser presumidos, tendo em vista que a viola\u00e7\u00e3o marc\u00e1ria prejudica a atividade empresarial do leg\u00edtimo titular da marca, seja pelo desvio de clientela ou por confundir o consumidor.<\/p>\n<p>A r\u00e9 apelou, ent\u00e3o, alegando que a autora ancorava sua pretens\u00e3o indenizat\u00f3ria no fato do dano material ser presumido quando, na verdade, a simples exist\u00eancia do fato n\u00e3o deveria gerar o dever de reparar.<\/p>\n<p>Em sede de apela\u00e7\u00e3o, o relator reafirmou que, diante da constata\u00e7\u00e3o de utiliza\u00e7\u00e3o indevida da marca \u201cSocicred\u201d pela r\u00e9 ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o de nulidade do registro, \u00e9 cab\u00edvel a condena\u00e7\u00e3o ao pagamento de lucros cessantes nos termos do artigo 210 da LPI, os quais deveriam ser apurados por arbitramento em sede de liquida\u00e7\u00e3o de senten\u00e7a.<\/p>\n<p>O relator ressaltou, por fim, a necessidade de\u00a0 demonstra\u00e7\u00e3o efetiva do ganho que deixou de ser obtido em raz\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o da marca anulada para a apura\u00e7\u00e3o do valor devido a t\u00edtulo de repara\u00e7\u00e3o pelo uso indevido da marca, o que deveria ser feito atrav\u00e9s de per\u00edcia t\u00e9cnica e exame dos livros cont\u00e1beis, levando em considera\u00e7\u00e3o\u00a0 o faturamento de ambas as empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PROTE\u00c7\u00c3O DE DADOS<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #0877be;\"><strong>PUBLICADA A MEDIDA PROVIS\u00d3RIA QUE CRIA A AUTORIDADE NACIONAL DE PROTE\u00c7\u00c3O DE DADOS NO BRASIL<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Prezados,<\/p>\n<p>Conforme divulgamos em nossa Edi\u00e7\u00e3o Especial de Dezembro de 2018, foi publicado, no dia 28 de dezembro de 2018, a Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 869 de 27 de dezembro de 2018 (\u201cMP 869\/2018\u201d), que cria a Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (\u201cANPD\u201d) e altera a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (Lei Federal n\u00ba 13.709\/2018).<\/p>\n<p>O Presidente havia inicialmente vetado a cria\u00e7\u00e3o da Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados em virtude de v\u00edcios legais para sua cria\u00e7\u00e3o pelo poder legislativo.<\/p>\n<p>Desta forma, seguem abaixo os principais pontos de modifica\u00e7\u00e3o da LGPD pela MP 869\/2018:<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (ANPD): <\/strong>Ap\u00f3s o veto no texto original da LGPD, a Medida Provis\u00f3ria 869 cria a Autoridade Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados, \u00f3rg\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal, integrante da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e com autonomia t\u00e9cnica. A ANPD ser\u00e1 composta por um Conselho Diretor, um Conselho Nacional, uma Corregedoria, uma Ouvidoria, um \u00f3rg\u00e3o de assessoramento jur\u00eddico pr\u00f3prio e unidades administrativas e especializadas para aplica\u00e7\u00e3o da LGPD. Dentre suas diversas compet\u00eancias, caber\u00e1 \u00e0 ANPD (i) editar normas e procedimentos sobre a prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais; (ii) deliberar, na esfera administrativa, sobre a interpreta\u00e7\u00e3o da LGPD; (iii) fiscalizar e aplicar san\u00e7\u00f5es na hip\u00f3tese de tratamento de dados realizado em descumprimento \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o; (iv) implementar mecanismos simplificados para o registro de reclama\u00e7\u00f5es sobre o tratamento de dados pessoais em desconformidade com a LGPD; e (v) requisitar informa\u00e7\u00f5es, a qualquer momento, aos controladores e operadores de dados pessoais que realizem opera\u00e7\u00f5es de tratamento de dados pessoais; dentre outras. Cabe observar, ainda, que a MP 869\/2018 estabelece \u00e0 ANPD a compet\u00eancia principal para aplica\u00e7\u00e3o das san\u00e7\u00f5es previstas na LGPD, cujas demais compet\u00eancias prevalecer\u00e3o sobre as compet\u00eancias correlatas de outras entidades ou \u00f3rg\u00e3os da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong> Conselho Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais e da Privacidade: <\/strong>Com rela\u00e7\u00e3o ao Conselho Nacional que comp\u00f5e a ANPD, a Medida Provis\u00f3ria 869 estabelece que o \u00f3rg\u00e3o ser\u00e1 composto por 23 representantes designados pelo Presidente da Rep\u00fablica, com mandatos de dois anos n\u00e3o remunerados. O Conselho ter\u00e1 compet\u00eancia para, entre outras fun\u00e7\u00f5es, (i) propor diretrizes estrat\u00e9gicas para a elabora\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Prote\u00e7\u00e3o de Dados Pessoais; (ii) sugerir a\u00e7\u00f5es a serem realizadas pela ANPD; e (iii) elaborar estudos e realizar debates e audi\u00eancias p\u00fablicas sobre a prote\u00e7\u00e3o de dados pessoais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Altera\u00e7\u00e3o da Vacatio Legis para 24 meses: <\/strong>Outra relevante altera\u00e7\u00e3o trazida pela Medida Provis\u00f3ria 869 foi a extens\u00e3o da vacatio legis da LGPD para 24 meses ap\u00f3s a sua publica\u00e7\u00e3o original, antes prevista para 18 meses. Com essa altera\u00e7\u00e3o, a LGPD entrar\u00e1 integralmente em vigor a partir de Agosto de 2020, adiando o prazo para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 lei determinado anteriormente em Fevereiro de 2020.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Encarregado: <\/strong>Com a nova reda\u00e7\u00e3o dada ao inciso VIII do artigo 5\u00ba da LGPD, o Encarregado pelo tratamento de dados pessoais n\u00e3o ficar\u00e1 mais restrito apenas \u00e0 pessoas f\u00edsicas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Tratamento de Dados para Fins Acad\u00eamicos: <\/strong>Foi alterado o artigo 4\u00ba da LGPD, de modo que n\u00e3o mais se exigir\u00e1 base legal para o tratamento de dados pessoais para fins acad\u00eamicos. O tratamento destes dados foi inclu\u00eddo como hip\u00f3tese de exce\u00e7\u00e3o expressa \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da LGPD.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Tratamento de Dados Relativos \u00e0 Seguran\u00e7a P\u00fablica por Pessoas Jur\u00eddicas de Direito Privado: <\/strong>Ademais, foi revogado o par\u00e1grafo 4\u00ba do artigo 4\u00ba, que impedia que a totalidade dos dados pessoais de banco de dados com dados relativos \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica, seguran\u00e7a do Estado, da defesa nacional ou investiga\u00e7\u00f5es de infra\u00e7\u00f5es penais fossem tratados por qualquer pessoa de direito privado. Diante dessa revoga\u00e7\u00e3o e da altera\u00e7\u00e3o do respectivo par\u00e1grafo 3\u00ba, o tratamento destes dados poder\u00e1 ser realizado por pessoas de direito privado, desde que sob a tutela do poder p\u00fablico, sem mais a obriga\u00e7\u00e3o de noticiar a Autoridade Nacional.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Tratamento de Dados Pessoais:<\/strong> Foi revogada a obriga\u00e7\u00e3o de informar ao titular dos dados sobre a base legal de tratamento quando esse baseado nas hip\u00f3teses de (i) cumprimento de obriga\u00e7\u00e3o legal ou regulat\u00f3ria pelo controlador; e (ii) tratamento e uso compartilhado, pela Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, de dados necess\u00e1rios \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Compartilhamento e Portabilidade de Dados Pessoais Sens\u00edveis referentes \u00e0 Sa\u00fade:<\/strong> O artigo 11 da LGPD foi alterado para incluir a possibilidade de compartilhamento ou uso de dados pessoais sens\u00edveis referentes \u00e0 sa\u00fade com objetivo de obter vantagem econ\u00f4mica nos casos em que a sua comunica\u00e7\u00e3o for necess\u00e1ria para a adequada presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade suplementar, bem como a sua portabilidade, desde que consentido pelo titular dos dados pessoais.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong> Direito a Revis\u00e3o de Decis\u00f5es Automatizadas:<\/strong> O direito de revis\u00e3o das decis\u00f5es tomadas unicamente com base em tratamento automatizado foi alterado para excluir a obriga\u00e7\u00e3o desta revis\u00e3o ser conduzida necessariamente por uma pessoa natural.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong> Comunica\u00e7\u00e3o e Uso Compartilhado de Dados entre Pessoas Jur\u00eddicas de Direito P\u00fablico e Privado: <\/strong>As hip\u00f3teses de transfer\u00eancias de dados pessoais constantes de bases de dados do Poder P\u00fablico a entidades privadas foram estendidas, incluindo possibilidades como quando o compartilhamento for respaldado em previs\u00e3o legal ou contratos, ou para prevenir fraudes e irregularidades, entre outros. Ademais, n\u00e3o ser\u00e1 mais necess\u00e1rio que se informe \u00e0 ANPD sobre o compartilhamento de dados entre entes p\u00fablicos e privados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PRINCIPAIS CONTATOS:<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong><strong><a href=\"http:\/\/cmalaw.com\/pt\/equipe\/paula-mena-barreto\/\">Paula Mena Barreto<\/a><br \/>\n<\/strong>S\u00f3cia<br \/>\n<strong>T: <\/strong>+55 21 3262-3028<br \/>\n<strong>E:<\/strong> <a href=\"mailto:paula.menabarreto@cmalaw.com\">paula.menabarreto@cmalaw.com<\/a><\/p>\n<p><strong>Manoela Esteves<\/strong><br \/>\nAssociada<br \/>\n<strong>T: <\/strong>+55 21 3262 3042<br \/>\n<strong>E:<\/strong>\u00a0<a href=\"mailto:manoela.esteves@cmalaw.com\">manoela.esteves@cmalaw.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","categories":[201],"tags":[],"voce-sabia":[],"class_list":["post-2153","conteudos","type-conteudos","status-publish","hentry","category-publicacoes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/2153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos"}],"about":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/conteudos"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/2153\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13050,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/2153\/revisions\/13050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2153"},{"taxonomy":"voce-sabia","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/voce-sabia?post=2153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}