{"id":4299,"date":"2020-04-13T14:48:28","date_gmt":"2020-04-13T17:48:28","guid":{"rendered":"https:\/\/cmalaw.com\/?post_type=namidia&#038;p=4299"},"modified":"2023-06-28T21:13:13","modified_gmt":"2023-06-29T00:13:13","slug":"consumidor-ja-busca-renegociacao-de-imoveis-comprados-na-planta","status":"publish","type":"conteudos","link":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/conteudos\/consumidor-ja-busca-renegociacao-de-imoveis-comprados-na-planta\/","title":{"rendered":"Consumidor j\u00e1 busca renegocia\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis comprados na planta"},"content":{"rendered":"<p>Por: Circe Bonatelli e Mariana Dur\u00e3o<br \/>\n<a href=\"https:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,consumidor-ja-busca-renegociacao-de-imoveis-comprados-na-planta,70003267275\">O Estado de S.Paulo<\/a><\/p>\n<p class=\"n--noticia__subtitle\"><strong>Queda na renda em virtude da crise do coronav\u00edrus reacende um velho temor do mercado imobili\u00e1rio: os distratos de aquisi\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis novos<\/strong><\/p>\n<p><strong>RIO E S\u00c3O PAULO\u00a0\u2013<\/strong>\u00a0A queda na renda de boa parte dos brasileiros, em fun\u00e7\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica frente \u00e0 necessidade de medidas de isolamento para conter a\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/coronavirus\"><strong>epidemia do coronav\u00edru<\/strong><\/a>s, reacendeu no mercado imobili\u00e1rio o temor de enfrentar de novo um problema antigo do setor: os distratos, jarg\u00e3o usado pelas empresas para devolu\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/tudo-sobre.estadao.com.br\/mercado-imobiliario\"><strong>im\u00f3veis comprados na planta<\/strong><\/a>. Esse foi o pesadelo de incorporadoras e propriet\u00e1rios de im\u00f3veis novos durante a recess\u00e3o iniciada em 2014, quando o setor registrou recordes hist\u00f3ricos no volume de devolu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sofrer um corte de 25% em seu sal\u00e1rio por conta da crise do coronav\u00edrus, o economista Alex Agostini, da Austin Rating, est\u00e1 entre os que pediram revis\u00e3o no contrato.\u00a0 Ele procurou a construtora Eztec para tentar postergar as parcelas de abril e de maio.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;A empresa onde trabalho reduziu os sal\u00e1rios como forma de preservar empregos. O mercado financeiro est\u00e1 um caos, e as opera\u00e7\u00f5es diminu\u00edram&#8221;, conta Agostini. &#8220;Ent\u00e3o pedi uma revis\u00e3o do contrato \u00e0 Eztec. N\u00e3o estou querendo me aproveitar da situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma medida preventiva&#8221;, explica. A resposta que recebeu por e-mail foi que o fluxo de pagamentos est\u00e1 mantido por enquanto, mas o caso ser\u00e1 analisado.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;At\u00e9 agora, o problema n\u00e3o se aprofundou. Mas, quanto pior a crise, pior ser\u00e1 esse problema&#8221;, afirma o diretor de Rela\u00e7\u00f5es com Investidores da Eztec, Emilio Fugazza. A companhia tem recebido demanda de consumidores para postergar parcelas e diluir as pr\u00f3ximas faturas no saldo devedor, entre outras medidas para ganharem f\u00f4lego.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O plano da Eztec \u00e9 atender essas demandas desde que o consumidor comprove que perdeu renda. Mas com todas as equipes de atendimento em home office, a construtora n\u00e3o conseguiu responder aos pedidos recentes. &#8220;Ainda precisamos de um tempo para dar andamento a essas renegocia\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Fugazza. &#8220;O mundo mudou numa velocidade espetacular. H\u00e1 duas semanas est\u00e1vamos lan\u00e7ando novos projetos e com vendas aquecidas&#8221;, relembra.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O presidente da Trisul, Jorge Cury, diz que identificou duas vertentes. Clientes de im\u00f3veis de alto padr\u00e3o (acima de R$ 650 mil) est\u00e3o buscando renegociar os pagamentos, enquanto aqueles de m\u00e9dio padr\u00e3o (entre R$ 250 mil e R$ 650 mil) come\u00e7aram a pedir o distrato.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;A amostragem \u00e9 pequena, pois a crise veio h\u00e1 apenas duas semanas, mas a tend\u00eancia \u00e9 que esses distratos se acentuem. A classe m\u00e9dia vinha se recuperando, mas muita gente vai perder emprego e profissionais aut\u00f4nomos v\u00e3o perder renda&#8221;, estima. Em rela\u00e7\u00e3o aos pedidos de flexibiliza\u00e7\u00e3o dos pagamentos, a inten\u00e7\u00e3o da Trisul \u00e9 atender os consumidores. &#8220;Vamos buscar um rearranjo. E n\u00f3s faremos sem multa e juros, porque temos interesse em manter a venda&#8221;, promete Cury.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na Setin, o volume de distratos ainda \u00e9 irrelevante, mas os pedidos de renegocia\u00e7\u00f5es j\u00e1 come\u00e7aram. &#8220;Foi pequeno em mar\u00e7o, mas para abril as renegocia\u00e7\u00f5es podem chegar a 10% da carteira de clientes&#8221;, conta o dono da construtora, Ant\u00f4nio Setin. &#8220;Se essa crise durar at\u00e9 maio, muita gente vai sentir isso no bolso. A\u00ed todos n\u00f3s vamos pagar caro. N\u00e3o adianta o setor de constru\u00e7\u00e3o produzir se o cliente n\u00e3o tem receita. A\u00ed vai ser dram\u00e1tico.&#8221;<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ele afirma ainda que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o em identificar demandas leg\u00edtimas, de consumidores que de fato foram afetados pela crise. &#8220;Desta vez, entendemos que as pessoas ser\u00e3o afetadas de verdade. Vamos dar um espa\u00e7o para que elas ajeitem sua situa\u00e7\u00e3o. J\u00e1 na crise iniciada em 2014, 80% dos distratos da Setin eram de especuladores que compraram at\u00e9 cinco apartamentos e decidiram desfazer o neg\u00f3cio quando n\u00e3o tiveram o retorno esperado, relembra.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Crise p\u00f5e nova lei \u00e0 prova<\/h3>\n<p>O risco de uma nova onda de revis\u00f5es e cancelamentos de contratos imobili\u00e1rios, que pode ser deflagrada em fun\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus, vai colocar em teste a nova lei dos distratos, sancionada no apagar das luzes do ano de 2018. Ela \u00e9 a r\u00e9gua que a Justi\u00e7a vai usar para decidir quem tem raz\u00e3o na hora de desfazer um contrato, mas pode haver algumas resist\u00eancias nos tribunais para sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #0076be;\">\u201cPela previs\u00e3o de uma recess\u00e3o forte deve haver um volume razo\u00e1vel de pedidos de distratos e a\u00ed vamos testar o judici\u00e1rio na aplica\u00e7\u00e3o da lei dos distratos, j\u00e1 que os contratos discutidos na crise passada eram anteriores a 2018\u201d, diz o advogado <a href=\"https:\/\/cmalaw.com\/equipe\/theo-keiserman-de-abreu\/\">Theo Keiserman de Abreu<\/a>, s\u00f3cio do Campos Mello Advogados.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A lei foi editada com o intuito de oferecer maior seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e0s incorpora\u00e7\u00f5es imobili\u00e1rias, ao estabelecer porcentuais de reten\u00e7\u00e3o e devolu\u00e7\u00e3o quando o contrato for encerrado, seja por inadimpl\u00eancia do comprador ou por descumprimento de obriga\u00e7\u00f5es pelos incorporadores. Antes dessa regula\u00e7\u00e3o, a jurisprud\u00eancia vinha estabelecendo uma multa que variava de 10% a 25% do valor pago pelo consumidor para compensar os esfor\u00e7os da incorporadora na obra.<\/p>\n<p>Em 2015, a recess\u00e3o econ\u00f4mica atingiu em cheio o bolso dos brasileiros. Com os compradores sem dinheiro para arcar com as presta\u00e7\u00f5es, o mercado enfrentou uma avalanche de pedidos de cancelamento de contratos. Pressionadas, as incorporadoras se viram amea\u00e7adas de ficar sem fluxo de caixa para terminar as obras. O resultado \u00e9 que muitos casos foram parar na Justi\u00e7a.\u00a0 A Lei 13.786\/18 (apelidada de lei dos distratos) veio em resposta a esse quadro de inseguran\u00e7a jur\u00eddica vivido pelo setor imobili\u00e1rio.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A advogada Ana Beatriz Barbosa, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Perez&amp;Barros, explica que a nova lei estabeleceu par\u00e2metros para a resolu\u00e7\u00e3o dos contratos celebrados a partir de dezembro de 2018. O texto dividiu as incorpora\u00e7\u00f5es que estavam sujeitas ao patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o \u2013\u00a0regime em que o dinheiro da obra \u00e9 separado do patrim\u00f4nio da incorporadora, assegurando a entrega da obra mesmo quando a empresa enfrenta problemas financeiros \u2013\u00a0das demais. No primeiro caso pode ser estabelecida multa de at\u00e9 50% no distrato, enquanto no restante o teto da multa \u00e9 de 25% do valor pago pelo im\u00f3vel.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas a nova lei \u00e9 controversa entre ju\u00edzes e desembargadores. Uma parte deles considera que o texto engessa as discuss\u00f5es, enquanto o melhor seria fazer a an\u00e1lise caso a caso. &#8220;Para alguns, ela n\u00e3o protege o consumidor e trata igualmente as partes desiguais&#8221;, diz Abreu. O tema foi alvo de preocupa\u00e7\u00e3o de representantes do setor imobili\u00e1rio em uma videoconfer\u00eancia promovida na semana passada pelo Campos Mello Advogados.<\/p>\n<p>O s\u00f3cio do escrit\u00f3rio VBD Advogados e conselheiro jur\u00eddico do Sindicato da Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o Civil (Sinduscon-SP), Olivar Vitale, conta que as construtoras j\u00e1 est\u00e3o relatando interrup\u00e7\u00f5es no fluxo de pagamentos dos consumidores. &#8220;Quando o cliente est\u00e1 disposto a negociar, \u00e9 a melhor situa\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m quer retomar o im\u00f3vel. O problema \u00e9 quando simplesmente deixam de pagar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Vitale observa que a exist\u00eancia de um fato como a crise provocada pela pandemia, d\u00e1 margem para a revis\u00e3o dos contratos, como altera\u00e7\u00e3o no fluxo de pagamentos a pedido de consumidores que comprovarem a perda da renda. Mas a lei n\u00e3o permite o distrato livre e sem multa. &#8220;Infelizmente, n\u00f3s sabemos que haver\u00e1 adquirentes procurando a justi\u00e7a para rescindir. E do lado das construtoras, a defesa ser\u00e1 dif\u00edcil, pois o judici\u00e1rio \u00e9 paternalista e pode acabar aceitando os argumentos dos consumidores&#8221;, prev\u00ea.<\/p>\n<h3 class=\"intertitulo\">Um novo elemento a considerar<\/h3>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o de um contrato acontece quando existe um motivo justo, n\u00e3o apenas pela vontade de uma das partes. O contexto da pandemia, no entanto, vai adicionar um elemento novo na equa\u00e7\u00e3o: a for\u00e7a maior. No caso das incorporadoras, muitas provavelmente v\u00e3o deixar de entregar obras no prazo pela dificuldade de receber material, porque o Estado decretou que as constru\u00e7\u00f5es deveriam parar ou proibiu movimenta\u00e7\u00e3o intermunicipal, impedindo a chegada de oper\u00e1rios aos canteiros. J\u00e1 os compradores podem ficar desempregados ou ter sal\u00e1rios reduzidos, tamb\u00e9m em raz\u00e3o do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que dever\u00e1 haver uma benevol\u00eancia dos ju\u00edzes em interpretar isso. \u00c9 bem poss\u00edvel que se d\u00ea maior prazo para incorporadores terminarem as obras, desde que se prove que o atraso se deu pela pandemia e n\u00e3o por culpa da incorporadora&#8221;, exemplifica Ana Beatriz Barbosa. A recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 que as incorporadoras documentem tudo, numa esp\u00e9cie de di\u00e1rio de obra. O mesmo vale para o comprador que for prejudicado pela pandemia e tiver que provar isso para se livrar das presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na vis\u00e3o do juiz da 1\u00aa Vara de Recupera\u00e7\u00f5es e fal\u00eancias do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo, Jo\u00e3o de Oliveira Rodrigues Filho, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade na lei do distrato de o consumidor pedir o desfazimento do contrato e ficar isento da multa. &#8220;Quem n\u00e3o consegue adimplir, mesmo na crise, precisa comprovar isso e buscar uma negocia\u00e7\u00e3o direto com a construtora. Se a empresa permanecer irredut\u00edvel, a\u00ed o consumidor poderia recorrer ao judici\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>O magistrado lembra que os pedidos em massa de distratos no passado provocaram problemas sist\u00eamicos, quebrando empresas e deixando outros consumidores sem receber os im\u00f3veis. Portanto, a maior premissa \u00e9 seguir os contratos e a legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":13477,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","categories":[201],"tags":[],"voce-sabia":[],"class_list":["post-4299","conteudos","type-conteudos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-publicacoes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos"}],"about":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/conteudos"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13193,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4299\/revisions\/13193"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13477"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4299"},{"taxonomy":"voce-sabia","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/voce-sabia?post=4299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}