{"id":4522,"date":"2020-07-07T17:03:37","date_gmt":"2020-07-07T20:03:37","guid":{"rendered":"https:\/\/cmalaw.com\/?post_type=publicacoes&#038;p=4522"},"modified":"2023-06-28T21:14:04","modified_gmt":"2023-06-29T00:14:04","slug":"informativo-ambiental-nova-orientacao-juridica-normativa-ibama","status":"publish","type":"conteudos","link":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/conteudos\/informativo-ambiental-nova-orientacao-juridica-normativa-ibama\/","title":{"rendered":"Informativo Ambiental | Nova Orienta\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica Normativa &#8211; Ibama"},"content":{"rendered":"<p>Em 24\/06\/2020, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (<u>IBAMA<\/u>) disponibilizou o Parecer n\u00ba 00004\/2020\/GABIN\/PFE-IBAMA-SEDE\/PGF\/AG, adotado como Orienta\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica Normativa n\u00ba 53\/2020 (\u201c<u>OJN<\/u>\u201d)<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>Considerando que os julgados do Superior Tribunal de Justi\u00e7a e Tribunais Regionais Federais t\u00eam adotado o entendimento da natureza subjetiva da responsabilidade administrativa ambiental, a Procuradoria Federal Especializada \u2013 IBAMA (\u201c<u>PFE-IBAMA<\/u>\u201d) entendeu pela necessidade de revis\u00e3o do entendimento formalizado por meio da Orienta\u00e7\u00e3o Jur\u00eddica Normativa n\u00b0 26\/2011 a fim de oferecer seguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e0 aut\u00e1rquica federal.<\/p>\n<p>De forma geral, a PFE-IBAMA revisou o entendimento anteriormente aplicado sobre a natureza objetiva da responsabilidade administrativa ambiental, baseada na Teoria do Risco Criado, passando a adotar o entendimento de que a responsabilidade administrativa ambiental possui natureza subjetiva, sendo necess\u00e1ria a exist\u00eancia de dolo ou culpa do agente para caracteriza\u00e7\u00e3o de infra\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Dentre os principais pontos trazidos pela OJN, destacamos:<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 \u00a0Em raz\u00e3o da falta de conceitos bem estabelecidos pela legisla\u00e7\u00e3o ambiental, entendeu-se pela utiliza\u00e7\u00e3o de conceitos penais para definir conceitos tamb\u00e9m na esfera administrativa, respeitando seus limites de aplica\u00e7\u00e3o, conforme prev\u00ea o art. 79 da Lei de Crimes Ambientais;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 \u00a0O aspecto subjetivo (dolo ou culpa) pode ser demonstrado de forma impl\u00edcita pelo fiscal autuante (isto \u00e9, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria sua men\u00e7\u00e3o expressa no auto de infra\u00e7\u00e3o);<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 \u00a0Utiliza\u00e7\u00e3o do conceito de culpa, com base no artigo 18, inciso II, do C\u00f3digo Penal, enquanto descumprimento de dever objetivo de cuidado cumulado com nexo causal e previsibilidade objetiva. Traz as formas pelas quais a culpa se manifesta (neglig\u00eancia, imprud\u00eancia e imper\u00edcia), incluindo a culpa (i) <em>in eligendo<\/em> (em escolher \u2013 p.ex., prestadores de servi\u00e7o); (ii) <em>in vigilando<\/em> (em vigiar \u2013 p.ex., fiscaliza\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00e3o de terceiros); e (iii) <em>in custodiendo<\/em> (em guardar \u2013 p.ex., guarda de animais silvestres), sendo relevante para an\u00e1lise a previsibilidade objetiva pelo agente, de modo a afastar a ocorr\u00eancia de caso fortuito da conduta culposa;<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 \u00a0Explora as hip\u00f3teses de excludente de culpabilidade, cujo \u00f4nus probat\u00f3rio \u00e9 de responsabilidade do autuado: (i) inimputabilidade administrativa (sanidade mental, discernimento, maturidade); e (ii) inexigibilidade de conduta diversa, apenas no direito p\u00fablico (exclu\u00eddas, p.ex., dificuldades financeiras); e (iii) aus\u00eancia da potencial consci\u00eancia da ilicitude (erro de proibi\u00e7\u00e3o \u2013 p.ex., lei prescrita);<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 \u00a0Prev\u00ea a possibilidade de participa\u00e7\u00e3o e coautoria na pr\u00e1tica de atos administrativos infracionais, podendo ser autuados de forma individualizada ou m\u00faltipla (teoria formal-objetiva do concurso de pessoas conjugada com teoria do dom\u00ednio do fato, trazidas pelo direito penal); e<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 \u00a0Estabelece que os autos de infra\u00e7\u00e3o, aplicados e julgados sob a vig\u00eancia da OJN n\u00ba 26\/2011, n\u00e3o ser\u00e3o modificados pela mudan\u00e7a trazida pela nova OJN quando for poss\u00edvel observar que houve a an\u00e1lise e presen\u00e7a de culpabilidade\/ subjetividade no caso em an\u00e1lise, ainda que n\u00e3o expressamente, observando as restri\u00e7\u00f5es constitucionais\/legais (p.ex., a coisa julgada em a\u00e7\u00e3o declarat\u00f3ria julgada improcedente).<\/p>\n<p>Esperamos que com a nova OJN haja maior uniformidade acerca do entendimento e aplica\u00e7\u00e3o da natureza subjetiva da responsabilidade administrativa ambiental pelo \u00f3rg\u00e3o ambiental federal, trazendo uma maior seguran\u00e7a jur\u00eddica para os processos administrativos.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/sapiens.agu.gov.br\/valida_publico?id=442105811\">https:\/\/sapiens.agu.gov.br\/valida_publico?id=442105811<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #c3d941;\"><strong>PRINCIPAIS CONTATOS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #26a146;\">Theo Keiserman de Abreu<\/span><br \/>\n<\/strong>S\u00f3cio<br \/>\n<strong>T: <\/strong>+55 21 3262-3021<br \/>\n<strong>E:<\/strong> theo.abreu@cmalaw.com<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #26a146;\">Gabriela de Carvalho e Mello<\/span><br \/>\n<\/strong>Associada<br \/>\n<strong>T: <\/strong>+55 11 3077-3568<br \/>\n<strong>E:<\/strong> <a href=\"mailto:gabriela.mello@cmalaw.com\">gabriela.mello@cmalaw.com<\/a><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #26a146;\">Bruna Faviere Lustoza Pinheiro<\/span><br \/>\n<\/strong>Associada<br \/>\n<strong>T: <\/strong>+55 11 3077-3543<br \/>\n<strong>E:<\/strong> <a href=\"mailto:bruna.pinheiro@cmalaw.com\">bruna.pinheiro@cmalaw.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"featured_media":13234,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","categories":[201],"tags":[],"voce-sabia":[],"class_list":["post-4522","conteudos","type-conteudos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-publicacoes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4522","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos"}],"about":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/conteudos"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4522\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13233,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4522\/revisions\/13233"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4522"},{"taxonomy":"voce-sabia","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/voce-sabia?post=4522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}