{"id":4537,"date":"2020-07-24T17:29:23","date_gmt":"2020-07-24T20:29:23","guid":{"rendered":"https:\/\/cmalaw.com\/?post_type=namidia&#038;p=4537"},"modified":"2023-06-28T21:14:04","modified_gmt":"2023-06-29T00:14:04","slug":"o-que-sera-dos-shoppings-na-pandemia","status":"publish","type":"conteudos","link":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/conteudos\/o-que-sera-dos-shoppings-na-pandemia\/","title":{"rendered":"O QUE SER\u00c1 DOS SHOPPINGS NA PANDEMIA"},"content":{"rendered":"<p>Por: <strong>Cleide Carvalho <\/strong>e<strong> Henrique Gomes Batista<\/strong><br \/>\nFonte: <strong><a href=\"https:\/\/epoca.globo.com\/economia\/o-que-sera-dos-shoppings-na-pandemia-1-24548744\">Revista \u00c9poca<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>A crise do coronav\u00edrus reduz o movimento nos locais, provoca o fechamento de lojas e obriga o setor a se reinventar, com aposta no com\u00e9rcio eletr\u00f4nico<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com controle de temperatura, \u00e1lcool em gel e limita\u00e7\u00e3o de acesso, o brasileiro est\u00e1 longe de retomar o velho h\u00e1bito das compras em shopping. Uma combina\u00e7\u00e3o de temor de cont\u00e1gio ap\u00f3s a quarentena prolongada, renda mais curta em raz\u00e3o da crise e mudan\u00e7a de cultura com o consumo on-line no per\u00edodo de isolamento social reduziu o apelo destes templos de com\u00e9rcio, segundo especialistas.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da reabertura, n\u00e3o parecia ser esse o cen\u00e1rio. Um shopping em Botucatu, S\u00e3o Paulo, chegou a fazer drive-thru nos corredores para atender quem ainda se sentia desconfort\u00e1vel em sair do carro, mas n\u00e3o perdia o af\u00e3 pelas compras. A multiplica\u00e7\u00e3o de regras produziu outra cena curiosa no interior de S\u00e3o Paulo. Um shopping localizado entre Sorocaba e Votorantim teve autoriza\u00e7\u00e3o para abrir s\u00f3 parte das lojas: as outras permaneceram fechadas em raz\u00e3o das regras de isolamento vigentes em cada munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Mas, passado um m\u00eas, lojistas n\u00e3o veem motivo para comemorar. As vendas em junho ficaram at\u00e9 80% menores do que em igual per\u00edodo do ano passado, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). De outro lado, a pandemia teve efeito mais brando sobre o com\u00e9rcio de rua, que registrou queda de 42% no m\u00eas passado do movimento de clientes, de acordo com a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC). \u201cH\u00e1 clara preocupa\u00e7\u00e3o das pessoas em evitar shoppings, pelo medo da contamina\u00e7\u00e3o em lugar fechado\u201d, disse Fabio Bentes, economista s\u00eanior da CNC. \u201cNa rua, com custos menores, \u00e9 mais f\u00e1cil dar descontos, o que atrai os consumidores.\u201d<\/p>\n<p>O comportamento do consumidor levanta a d\u00favida sobre qual ser\u00e1 o futuro dos shoppings e de seu modelo de neg\u00f3cios. Ao fim da quarentena, pelo menos 13 mil lojas instaladas nesses centros comerciais n\u00e3o dever\u00e3o reabrir as portas, previu Nabil Sahyoun, presidente da Alshop. \u00c9 como se, dos 577 centros de compras no pa\u00eds, entre 45 e 65 deles encerrassem as atividades.<\/p>\n<p>Mesmo com medidas de al\u00edvio na pandemia, como suspens\u00e3o de alugu\u00e9is ou redu\u00e7\u00e3o de taxas das administradoras, alguns lojistas come\u00e7am a rever a estrat\u00e9gia e centram esfor\u00e7os nas vendas on-line, por meio de sites ou redes sociais. \u201cA ind\u00fastria do shopping se expandiu numa \u00e9poca em que vend\u00edamos muito e a conta fechava. Os alugu\u00e9is s\u00e3o indexados ao IGP-M, e as vendas n\u00e3o acompanham. E ainda tem as taxas. A gente n\u00e3o aguenta mais esse custo\u201d, afirmou Sergio Zeitunlian, dono da rede de roupas Handbook, com 41 lojas em sete shoppings do pa\u00eds. \u201cPara fechar uma loja, a multa varia de dez a 20 alugu\u00e9is, o que representa algo que pode chegar a R$ 400 mil.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 em 2019, a Handbook passou a investir em com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, com vendas pelo site e pelas redes sociais. De mar\u00e7o a junho, com o isolamento social, o e-commerce da marca cresceu 200%. De l\u00e1 para c\u00e1, Zeitunlian demitiu 218 dos 698 empregados, entre vendedores e funcion\u00e1rios da f\u00e1brica, que fica no interior de S\u00e3o Paulo. Sete lojas foram fechadas em shoppings de S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Minas Gerais. \u201cAs pessoas gostam de sair, de serem vistas. Isso n\u00e3o acaba. A loja presencial continua, mas o modelo de neg\u00f3cio dos shoppings tem de evoluir\u201d, disse Zeitunlian.<\/p>\n<p>Antonio Yezeguielian, dono da rede Tennis Station, com 47 lojas, afirmou que o custo de manter lojas em shopping se tornou proibitivo com a queda de vendas na pandemia. \u201cH\u00e1 dias em que acordo com vontade de fechar a metade delas. Estou esperando para n\u00e3o tomar uma atitude precipitada\u201d, disse o empres\u00e1rio, que, por enquanto, fechou apenas duas unidades e se queixa da estrutura cara dos centros comerciais. \u201cTem shopping em que minha loja paga R$ 3 mil de ar condicionado por m\u00eas, \u00e9 o valor do condom\u00ednio do apartamento onde moro.\u201d<\/p>\n<p>O professor Samuel Barros, coordenador do curso de administra\u00e7\u00e3o do Ibmec-RJ, acredita que a pandemia acelerou o processo do consumidor rumo ao digital. \u201cO que ia levar dez anos, vai ocorrer agora. O consumidor descobriu a comodidade da compra digital. Ele tem possibilidade maior de escolha, de verificar o pre\u00e7o entre lojas e at\u00e9 de customiza\u00e7\u00e3o de cor e desenho. Na loja f\u00edsica, s\u00f3 tem o que est\u00e1 na arara\u201d, disse Barros.<\/p>\n<blockquote class=\"quote\"><p>\u201cAS VENDAS DE JUNHO FORAM AT\u00c9 80% MENORES QUE NO MESMO PER\u00cdODO DE 2019, SEGUNDO A ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE LOJISTAS DE SHOPPING. O IMPACTO FOI MAIS BRANDO NO COM\u00c9RCIO DE RUA, COM QUEDA DE 42%, DE ACORDO COM A CONFEDERA\u00c7\u00c3O DO SETOR\u201d<\/p>\n<div class=\"quote__author\">\n<div class=\"quote__author-name\">\u00ad<\/div>\n<div class=\"quote__author-description\">\u00ad<\/div>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p>Com a sacola em dois cliques, Barros avaliou que alguns segmentos v\u00e3o migrar para o digital mais rapidamente, como ocorre no resto do mundo. Eletr\u00f4nicos e celulares j\u00e1 s\u00e3o exemplo dessa migra\u00e7\u00e3o. No mercado de vestu\u00e1rio, a tend\u00eancia \u00e9 que roupas do dia a dia sejam compradas pela internet, e as mais elegantes e de festa em lojas f\u00edsicas. \u201cO shopping n\u00e3o acabou nem vai acabar. O brasileiro gosta de tocar, \u00e9 sinest\u00e9sico por ess\u00eancia. Mas as lojas v\u00e3o ter de se acostumar a vender digitalmente o mesmo volume ou at\u00e9 mais do que nas lojas f\u00edsicas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>arros lembrou que, at\u00e9 2010, os shoppings eram ambientes exclusivamente de compras. Depois disso, passaram a oferecer outros chamarizes, como cinemas, teatros e lazer infantil. Na pr\u00e1tica, tornaram-se um ponto de encontro. O professor acredita que o novo cen\u00e1rio obriga os shoppings a se reinventar novamente, oferecendo mais entretenimento e novas experi\u00eancias de consumo. Uma delas ser\u00e1 a realidade aumentada, em que o consumidor experimenta roupas e acess\u00f3rios virtualmente, como os aplicativos que hoje permitem testar v\u00e1rios cortes de cabelo. \u201cVarejo por varejo, o shopping vai ser um elefante branco na m\u00e3o de muitas administradoras\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 pandemia, a rede brMalls, com 32 shoppings espalhados por 12 estados e 23 cidades, criou uma diretoria de Estrat\u00e9gia, Tecnologia e Novos Neg\u00f3cios. Leonardo Cid Ferreira, que fez carreira com neg\u00f3cios digitais, ocupa o posto. \u201cA briga n\u00e3o \u00e9 entre o f\u00edsico e o digital. A briga \u00e9 pela multicanalidade\u201d, disse o executivo. Ferreira afirmou que o modelo de neg\u00f3cios dos shoppings \u00e9 muito resiliente e, com a reabertura, muitos deles registraram at\u00e9 mesmo aumento no tempo de perman\u00eancia de pessoas em seus corredores. Segundo ele, as pessoas v\u00e3o aos shoppings para se entreter, almo\u00e7ar, comparar pre\u00e7os e tamb\u00e9m comprar. O passo agora \u00e9 incorpor\u00e1-los na vida desses consumidores do lado de fora. \u201cTemos de levar o shopping para a casa das pessoas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Shoppings como Tijuca, no Rio de Janeiro, e Villa Lobos, em S\u00e3o Paulo, que fazem parte da rede brMalls, j\u00e1 est\u00e3o na palma das m\u00e3os dos clientes, em aplicativos. A novidade \u00e9 que, quando ele faz a compra, o produto chega no mesmo dia. No e-commerce tradicional, dificilmente a entrega \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pida. A maior parte das grandes redes, campe\u00e3s em neg\u00f3cios digitais, t\u00eam centros de distribui\u00e7\u00e3o no interior de S\u00e3o Paulo, o que faz a mercadoria demorar mais tempo e chegar mais cara ao cliente. \u201cVamos servir o com\u00e9rcio eletr\u00f4nico com o estoque que est\u00e1 nas lojas, com custo muito mais baixo. Uma caixa com tr\u00eas pares de t\u00eanis pode custar at\u00e9 R$ 50 para ser enviada, mas, se o produto est\u00e1 no shopping mais pr\u00f3ximo, sair\u00e1 mais barato\u201d, afirmou.<\/p>\n<blockquote class=\"quote\"><p>\u201cNOS ESTADOS UNIDOS, OS SHOPPINGS COSTUMAM SER INSTALADOS EM \u00c1REAS MAIS AFASTADAS, ENQUANTO NO BRASIL SE TORNARAM CENTROS DE REFER\u00caNCIA DAS CIDADES E, EM MUITOS CASOS, \u00daNICO LOCAL DE LAZER E DE VIDA SOCIAL DOS MORADORES\u201d<\/p>\n<div class=\"quote__author\">\n<div class=\"quote__author-name\">\u00ad<\/div>\n<div class=\"quote__author-description\">\u00ad<\/div>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<p>Tornar as lojas de shoppings distribuidoras de produtos para o e-commerce \u00e9 tamb\u00e9m o modelo de neg\u00f3cio do Delivery Center, que tem tr\u00eas administradoras de shoppings entre seus acionistas \u2014 a pr\u00f3pria brMalls, a Multiplan (Barra e Morumbi shoppings) e a CPP (Metropolitano Barra e Cidade de S\u00e3o Paulo, entre outros). A startup conecta lojistas de shoppings aos pedidos do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico. O volume de entregas triplicou depois da escalada da pandemia de Covid-19 no pa\u00eds. At\u00e9 o fim do ano, a plataforma planeja ter centros de distribui\u00e7\u00e3o em 35 cidades de 20 estados.<\/p>\n<div class=\"block__advertising\">\n<p>Mas engana-se quem pensa que o maior rival dos shoppings \u00e9 a vitrine virtual. O Brasil \u00e9 grande, e cada canto do pa\u00eds tem suas peculiaridades. Marcelo de Souza e Silva, presidente da C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte, estima que 30% dos lojistas poder\u00e3o sair dos centros de compra em dire\u00e7\u00e3o a pontos de venda de rua. Em sua avalia\u00e7\u00e3o, num momento em que o pre\u00e7o dos alugu\u00e9is comerciais est\u00e1 mais baixo, \u00e9 mais f\u00e1cil negociar esse valor direto com o propriet\u00e1rio de uma loja de rua que com uma rede de shoppings. E esse movimento, se for bem aproveitado, poder\u00e1 ajudar na revitaliza\u00e7\u00e3o de bairros e vias comerciais por parte das prefeituras. \u201cH\u00e1 uma revaloriza\u00e7\u00e3o da rua. Antes as pessoas iam para os shoppings por medo da viol\u00eancia. Agora, v\u00e3o para a rua por medo do v\u00edrus\u201d, disse o executivo.<\/p>\n<p><span style=\"color: #800080;\"><span style=\"color: #000000;\">Ainda assim, Silva reconhece nos shoppings brasileiros alguns atrativos que n\u00e3o se repetem, por exemplo, em shoppings americanos, estes sim experimentando j\u00e1 um profundo esvaziamento<\/span>. Se nos Estados Unidos eles s\u00e3o majoritariamente instalados em locais isolados, aqui viraram centros de refer\u00eancia das cidades. E, em muitos casos, \u00fanico local de lazer e de vida social dos munic\u00edpios. \u201cH\u00e1 at\u00e9 fatores clim\u00e1ticos: em muitas cidades do interior do pa\u00eds, em regi\u00f5es quentes, o shopping \u00e9 o \u00fanico lugar climatizado ao alcance das pessoas\u201d, afirmou <a href=\"https:\/\/cmalaw.com\/equipe\/theo-keiserman-de-abreu\/\"><strong>Theo Keiserman de Abreu,<\/strong><\/a> s\u00f3cio do Campos Mello Advogados, especialista em varejo.<\/span><\/p>\n<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus fez o consumidor que ainda n\u00e3o tinha entrado na onda do consumo digital perder o medo de se aventurar nesse novo mundo. Se a crise sanit\u00e1ria se arrastar por mais tempo e o brasileiro chegar at\u00e9 as proximidades do Natal ainda em reclus\u00e3o, o clique \u00e9 certo. Nas contas do professor Barros, cinco meses \u00e9 o prazo m\u00e1ximo que as pessoas comuns conseguem ficar sem comprar nada. Depois disso, seja na rua, no shopping ou pelo computador, as vendas v\u00e3o voltar.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"featured_media":13483,"parent":0,"menu_order":0,"template":"","categories":[201],"tags":[],"voce-sabia":[],"class_list":["post-4537","conteudos","type-conteudos","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-publicacoes"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos"}],"about":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/conteudos"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13238,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/conteudos\/4537\/revisions\/13238"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13483"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4537"},{"taxonomy":"voce-sabia","embeddable":true,"href":"https:\/\/cmalaw.com\/homolog\/wp-json\/wp\/v2\/voce-sabia?post=4537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}